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Entregar-se com zelo à prática, auto-conhecimento, estudo das escrituras
sagradas e entregar-se à Deus são ações do yoga" -
BKS
IyengarO livro Yoga Sutra traça um plano de vida que parte da
ação física para o conhecimento espiritual, nos guiando até o caminho da
liberdade. Esse plano, ou caminho, possui oito ensinamentos. Costuma-se
ilustrar esses ensinamentos como degraus de uma escada para atingir o Samadhi.
De fato, atingir o Samadhi requer muita prática, sabedoria e principalmente
disciplina. Contudo, na minha interpretação, eu observo esses 8 ensinamentos
mais como raios de uma roda que degraus de uma escada. Todos ensinamentos
trabalham em conjunto para a roda da vida girar em equilíbrio. Não
necessariamamente precisamos aprender os yamas para depois adquirir os niyamas e
assim por diante. No meu ponto de vista, cada ensinamento é uma engrenagem
fundamental para a vida fluir em harmonia.
Racionalizando para colocar em
prática os ensinamentos existe uma certa linearidade já que os 4 primeiros
passos (Yamas, Nyamas, Asanas e Pranayama) são os meios para colocar a
espiritualidade em ação. Se quisermos comparar, os yamas e niyamas são como os
10 mandamentos. São as 10 atitudes que um yogini deve ter como base, como
fundamento primordial. Essas 10 atitudes são muito básicas. São atitudes que
qualquer religião prega. Vejamos:
Yamas:
Ahimsa - não
violencia;
Satya - não mentir;
Asteya - não roubar;
Brahmacarya -
moderação;
Aparigraha - desapego
Niyamas:
Sauca -
limpeza;
Santosa - contentamento;
Svadhyaya -
auto-conhecimento;
Isvara-Pranidhana - devoção a algo maior.
Se
usarmos a ilustração linear (da escada), os yamas e nyamas são os 2 primeiros
passos da nossa busca. São as atitudes básicas que devem guiar nossas vidas. Em
seguida vêm os asanas, que são as posturas físicas e depois pranayama que é a
respiração consciente. Esses 4 ensinamentos: yamas, niyamas, asanas e pranayama;
em conjunto são as ferramentas fundamentais para nos levar ao encontro de nossa
espiritualidade. Esses 4 ensinamentos são ações praticadas pelo nosso corpo
físico. Esses 4 ensinamentos são ações conscientes da nossa mente. São
conhecidos como
Tapas, ou espiritualidade em ação.
Os yamas e
niyamas nos proporcionam equilíbrio interior (yamas), equilíbrio no convívio com
a sociedade (niyamas) e com o universo. Os asanas nos proporcionam vigor físico,
aprofundam nossos sentidos e aumenta o poder de concentração. Com pranayama
adquirimos controle no rítmo da nossa respiração, conquistando com isso contato
com a nossa energia vital. Essas 4 práticas restauram nosso corpo, refinam nossa
mente, traz paz ao coração, nos proporcionando tranquilidade no meio do
turbilhão de pressões da vida cotidiana.
Os próximos 2 passos são
conhecidos como
svadhyaya ou auto-conhecimento, e é compreendido por
pratyahara e dharana. Pratyahara literalmente significa "virando para dentro" e
dharana é concentração. Juntos, pratyahara e dharana ou seja,
svadyaya,
significa chegando perto da sua verdadeira essência, é o auto-conhecimento. É a
mais profunda forma de conecção com nossa verdadeira essência.
Dhyana e
Samadhi são os dois últimos passos e juntos formam
isvara, a fronteira
final - a entrega do ser como indivíduo para o ser universal, a compreensão do
todo. Dhyana é meditação, e samadhy é a união com o objeto da meditação - o
estado onde não é mais necessário meditar, onde reexperimentarmos nossa unidade
primordial, onde voltamos para casa.
Esses 8 passos são como um mapa, não só para yoga mas para a vida, a jornada é
mais importante que o destino. Precisamos simplesmente estar abertos para nosso
potencial espiritual e desejarmos agir por nós mesmos.