quarta-feira, 27 de junho de 2012

Yoga

"Entregar-se com zelo à prática, auto-conhecimento, estudo das escrituras sagradas e entregar-se à Deus são ações do yoga" - BKS Iyengar


O livro Yoga Sutra traça um plano de vida que parte da ação física para o conhecimento espiritual, nos guiando até o caminho da liberdade. Esse plano, ou caminho, possui oito ensinamentos. Costuma-se ilustrar esses ensinamentos como degraus de uma escada para atingir o Samadhi. De fato, atingir o Samadhi requer muita prática, sabedoria e principalmente disciplina. Contudo, na minha interpretação, eu observo esses 8 ensinamentos mais como raios de uma roda que degraus de uma escada. Todos ensinamentos trabalham em conjunto para a roda da vida girar em equilíbrio. Não necessariamamente precisamos aprender os yamas para depois adquirir os niyamas e assim por diante. No meu ponto de vista, cada ensinamento é uma engrenagem fundamental para a vida fluir em harmonia.

Racionalizando para colocar em prática os ensinamentos existe uma certa linearidade já que os 4 primeiros passos (Yamas, Nyamas, Asanas e Pranayama) são os meios para colocar a espiritualidade em ação. Se quisermos comparar, os yamas e niyamas são como os 10 mandamentos. São as 10 atitudes que um yogini deve ter como base, como fundamento primordial. Essas 10 atitudes são muito básicas. São atitudes que qualquer religião prega. Vejamos:

Yamas:
Ahimsa - não violencia;
Satya - não mentir;
Asteya - não roubar;
Brahmacarya - moderação;
Aparigraha - desapego

Niyamas:
Sauca - limpeza;
Santosa - contentamento;
Svadhyaya - auto-conhecimento;
Isvara-Pranidhana - devoção a algo maior.

Se usarmos a ilustração linear (da escada), os yamas e nyamas são os 2 primeiros passos da nossa busca. São as atitudes básicas que devem guiar nossas vidas. Em seguida vêm os asanas, que são as posturas físicas e depois pranayama que é a respiração consciente. Esses 4 ensinamentos: yamas, niyamas, asanas e pranayama; em conjunto são as ferramentas fundamentais para nos levar ao encontro de nossa espiritualidade. Esses 4 ensinamentos são ações praticadas pelo nosso corpo físico. Esses 4 ensinamentos são ações conscientes da nossa mente. São conhecidos como Tapas, ou espiritualidade em ação.

Os yamas e niyamas nos proporcionam equilíbrio interior (yamas), equilíbrio no convívio com a sociedade (niyamas) e com o universo. Os asanas nos proporcionam vigor físico, aprofundam nossos sentidos e aumenta o poder de concentração. Com pranayama adquirimos controle no rítmo da nossa respiração, conquistando com isso contato com a nossa energia vital. Essas 4 práticas restauram nosso corpo, refinam nossa mente, traz paz ao coração, nos proporcionando tranquilidade no meio do turbilhão de pressões da vida cotidiana.

Os próximos 2 passos são conhecidos como svadhyaya ou auto-conhecimento, e é compreendido por pratyahara e dharana. Pratyahara literalmente significa "virando para dentro" e dharana é concentração. Juntos, pratyahara e dharana ou seja, svadyaya, significa chegando perto da sua verdadeira essência, é o auto-conhecimento. É a mais profunda forma de conecção com nossa verdadeira essência.

Dhyana e Samadhi são os dois últimos passos e juntos formam isvara, a fronteira final - a entrega do ser como indivíduo para o ser universal, a compreensão do todo. Dhyana é meditação, e samadhy é a união com o objeto da meditação - o estado onde não é mais necessário meditar, onde reexperimentarmos nossa unidade primordial, onde voltamos para casa.
Esses 8 passos são como um mapa, não só para yoga mas para a vida, a jornada é mais importante que o destino. Precisamos simplesmente estar abertos para nosso potencial espiritual e desejarmos agir por nós mesmos.

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